9 years ago
15.5.09
4.5.09
Caetano hoje, porque eu to cafona.Essa é de quando ele descobriu a vida em São Paulo. Gosto dessa letra porque fala de um segundo olhar sobre as situações, pessoas e culturas. Mas eu recortei a parte que eu, obviamente, me identifiquei.
Quando eu te encarei frente a frente não vi o meu rosto
Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto, mau gosto
É que Narciso acha feio o que não é espelho
E à mente apavora o que ainda não é mesmo velho
Nada do que não era antes quando não somos mutantes
E foste um difícil começo
Afasto o que não conheço
E quem vende outro sonho feliz de cidade
Aprende depressa a chamar-te de realidade
Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso
29.4.09
Turma LEI - 2º semestre/2005.
Quando cheguei em casa na tarde de hoje, olhei meu orkut e me deparei com uma foto dos formandos da minha turma da UFRJ, que começou em Agosto de 2005. Os alunos, em sua maioria mulheres, estavam vestidos com beca, jogando seus chapéus para o alto, exaltados e felizes. Os rostos estão diferentes, amadurecidos, mais experientes. Senti uma ponta de tristeza, pois eu não estava lá; e, aquilo que me disseram quando entrei pra faculdade se concretizou: até o final do curso, a turma não será mais a mesma.
A minha formatura será no próximo semestre, pois como muitos outros, me atrasei um período. Algumas amigas mais próximas também se formarão com atraso. Olhando bem a foto, reparei que entre os formandos, estavam as meninas que sempre sentavam nas cadeiras da frente, os alunos que sempre faziam os deveres, e que estavam em todas as aulas, fosse o que fosse.
Quanto à mim, sei que aprendi muito. Nunca fui uma aluna exemplar, pois meu maior interesse sempre foi a vida. E isso eu aprendi mesmo: a vida é perder e ganhar. Eu escolhi algumas perdas e alguns ganhos. Eu escolhi fazer amizades loucas, amizades verdadeiras, chorar de rir e chorar de chorar. Eu escolhi as festas, os cigarros, as bebedeiras, a maquiagem borrada e o atraso na segunda feira. Eu quis dormir mais. Eu escolhi as cartinhas de amor, as picuinhas, as colas e as ciladas. Eu escolhi também olhar o mar, pegar o bondinho com a Laila, com a Renata com o Pedro e com a Marina. Eu li os livros que eu quis, e ignorei os que não quis. Perdi então algum tempo, que me fez ganhar novas coisas também.
Me dei conta também, pela primeira vez hoje, que 48 meses se passaram, e as semi crianças que entraram no curso de letras em 2005, serão de agora em diante adultos responsáveis por outras semi crianças que para o mundo virão.
O que faz as pessoas mudarem tanto em 48 meses? Creio que seja o conhecimento. O conhecimento gera mudanças junto com as experiências pessoais e vão formando um indivíduo. Esses indivíduos deixam de ser aprendizes e passam a ser educadores. Se todos que se formam agora e se formarão no futuro estarão preparados, eu não sei dizer. Acho que eles também não sabem.
De qualquer forma, boa sorte à todos!
Quando cheguei em casa na tarde de hoje, olhei meu orkut e me deparei com uma foto dos formandos da minha turma da UFRJ, que começou em Agosto de 2005. Os alunos, em sua maioria mulheres, estavam vestidos com beca, jogando seus chapéus para o alto, exaltados e felizes. Os rostos estão diferentes, amadurecidos, mais experientes. Senti uma ponta de tristeza, pois eu não estava lá; e, aquilo que me disseram quando entrei pra faculdade se concretizou: até o final do curso, a turma não será mais a mesma.
A minha formatura será no próximo semestre, pois como muitos outros, me atrasei um período. Algumas amigas mais próximas também se formarão com atraso. Olhando bem a foto, reparei que entre os formandos, estavam as meninas que sempre sentavam nas cadeiras da frente, os alunos que sempre faziam os deveres, e que estavam em todas as aulas, fosse o que fosse.
Quanto à mim, sei que aprendi muito. Nunca fui uma aluna exemplar, pois meu maior interesse sempre foi a vida. E isso eu aprendi mesmo: a vida é perder e ganhar. Eu escolhi algumas perdas e alguns ganhos. Eu escolhi fazer amizades loucas, amizades verdadeiras, chorar de rir e chorar de chorar. Eu escolhi as festas, os cigarros, as bebedeiras, a maquiagem borrada e o atraso na segunda feira. Eu quis dormir mais. Eu escolhi as cartinhas de amor, as picuinhas, as colas e as ciladas. Eu escolhi também olhar o mar, pegar o bondinho com a Laila, com a Renata com o Pedro e com a Marina. Eu li os livros que eu quis, e ignorei os que não quis. Perdi então algum tempo, que me fez ganhar novas coisas também.
Me dei conta também, pela primeira vez hoje, que 48 meses se passaram, e as semi crianças que entraram no curso de letras em 2005, serão de agora em diante adultos responsáveis por outras semi crianças que para o mundo virão.
O que faz as pessoas mudarem tanto em 48 meses? Creio que seja o conhecimento. O conhecimento gera mudanças junto com as experiências pessoais e vão formando um indivíduo. Esses indivíduos deixam de ser aprendizes e passam a ser educadores. Se todos que se formam agora e se formarão no futuro estarão preparados, eu não sei dizer. Acho que eles também não sabem.
De qualquer forma, boa sorte à todos!
27.4.09
23.4.09
Recorrendo à Fernanda Young, pra não ficar assim tão pessoal...
Sim essa porra não está dando certo, eu sei, o tempo não significa nada qdo as palavras se impõem ; e não há, não houve, ou haverá, ninguém que possa me tirar de caminho nenhum. Eu insisto, somente, por que tudo que já pretendo é cuspir em toda essa hipocrisia. Salvar minha alma. Tem gente que sabe o que estou falando. Agora, agora-agora, agorinha, tem gente que sabe o que estou, caralho, falando. É, é o meu momento mais tem gente que tb sente exatamente isso. Essa euforia de achar-se o único a sofrer no mundo. Aquele que mais se comisera, que mais sabe que está fodido, aquele que sofre de um jeito sofrido que ninguém mais sofre. E isso, que seria o egoísmo, no sofrimento torna-se altruísmo. A generosidade de ser o absoluto desgraçado do planeta, liberando o resto da humanidade pra ser mais feliz do que vc. Eu sou essa absoluta desgraçada. E estou desgraçadamente acompanhada por milhões de outras pessoas que escreveram cartas jamais enviadas, que destruíram cartas jamais abertas, que juraram que ficariam com vc aonde quer que vc fosse, para todo o sempre, e se vc saísse por ae ela iria junto, e se vc fosse pro Marrocos ela iria tb, e se vc não andasse ela carregaria vc nos braços. Sou uma desgraçada tão desgraçada que crê em tudo isso, agora e até o fim, sozinha com o mundo inteiro ao meu lado. “If you walk out on me, i’m walking after you” nos meus braços, c vc voltar; nos meus braços, c vc morrer, melhor...
24.11.08
Cat in the rain
A garota levantou-se do sofá, e com uma das mãos apoiou-se na mesa para alcançar o livro que jazia aberto em sua frente. Enquanto o homem no banheiro esvaziava da bexiga os dois copos da cerveja que já causava-lhe certo incômodo, a menina seguia com os olhos e com a ponta dos dedos as linhas de um pequeno conto. Antes de se retirar da sala, ele havia aberto o livro naquela página, recomendando que a menina a lesse, mesmo estando descrente de que ela o fizesse.
There were only two Americans stopping at the
hotel. They did not know any of the people they passed
on the stairs on their way to and from their room. Their
room was on the second floor facing the sea. It also
faced the public garden and the war monument. There
were big palms and green benches in the public garden.
In the good weather there was always an artist with his
easel. Artists liked the way the palms grew and the bright
colors of the hotels facing the gardens and the sea.
Italians came from a long way off to look up at the war
monument. It was made of bronze and glistened in the
rain. It was raining.
Quando o homem destrancou a porta do banheiro, ela movia-se silenciosamente para o segundo parágrafo do conto. Agora, em uma mão segurava o livro e na outra um cigarro. Havia adquirido o hábito de segurar um cigarro em uma das mãos quando tinha de ler em companhia de alguém. O ato de fumar parecia-lhe livrar da feição particular que se esboça quando se realiza uma leitura. Naquele momento, ela não queria deixar escapar nenhum traço de emoção.
Ele voltou para sala e olhou-a com surpresa; e ela para ele, com um sorriso de uma criança que sabe estar fazendo a coisa certa:
- Ah...você está lendo. Continua. Enquanto isso, eu uso o computador.
The American wife stood at the window looking out.
Outside right under their window a cat was crouched
under one of the dripping green tables. The cat was
trying to make herself so compact that she would not
be dripped on.
‘I’m going down and get that kitty,’ the American wife
said.
‘I’ll do it,’ her husband offered from the bed.
‘No, I’ll get it. The poor kitty out trying to keep dry
under a table.’
The husband went on reading, lying propped up with
the two pillows at the foot of the bed.
‘Don’t get wet,’ he said.
The wife went downstairs and the hotel owner stood
up and bowed to her as she passed the office. His desk
was at the far end of the office. He was an old man and
very tall.
Ela esticou o braço um pouco pra frente, de modo que pudesse alcançar a mesa e bater no cinzeiro o cigarro, que já ia quase metade queimado. Levantando os olhos, pôde ver que ele clicava com o mouse na tela do computador, onde não havia nada para clicar, fingindo se distrair com alguma coisa. A menina riu por dentro, e tentando retornar a atenção para o conto, leu desta vez mais rápido do que antes.
‘Il piove,’the wife said. She liked the hotel-keeper.
‘Si, Si, Signora, brutto tempo . It is very bad weather.’
He stood behind his desk in the far end of the dim
room. The wife liked him. She liked the deadly serious
way he received any complaints. She liked his dignity.
She liked the way he wanted to serve her. She liked the
way he felt about being a hotel-keeper. She liked his
old, heavy face and big hands.
Agora, pensava nela mesma e em como havia ido parar ali, naquela sala, naquela casa velha e mal-improvisada, naquele primeiro encontro. “The wife liked him”. “The wife liked him”. Não conseguia parar de repetir pra si mesma. “Acho que já sei como esta história termina”, ela pensou consigo; e continuou a ler ainda mais rápido. Ofegante, virou a folha:
She walked along the gravel path until she was under their
window. The table was there, washed bright green in
the rain, but the cat was gone. She was suddenly
disappointed. The maid looked up at her.
‘Ha perduto qualque cosa, Signora?’
‘There was a cat,’ said the American girl.
‘A cat?’
‘Si, il gatto.’
‘A cat?’ the maid laughed. ‘A cat in the rain?’
‘Yes, –’ she said, ‘under the table.’ Then, ‘Oh, I
wanted it so much. I wanted a kitty.’
When she talked English the maid’s face tightened.
‘Come, Signora,’ she said. ‘We must get back inside.
You will be wet.’
‘I suppose so,’ said the American girl.
Teve vontade de chorar de repente, de implorar ao escritor para que não deixasse a maldita gata estragar a vida da esposa. “Se ela não tivesse tido aquela visão, não saberia o que é ser feliz, e continuaria a viver na inocente mediocridade, sem ter que se preocupar com o que virá para preencher seus próximos dias.”
They went back along the gravel path and passed in
the door. The maid stayed outside to close the umbrella.
As the American girl passed the office, the padrone
bowed from his desk. Something felt very small and
tight inside the girl. The padrone made her feel very
small and at the same time really important. She had a
momentary feeling of being of supreme importance.
She went on up the stairs. She opened the door of the
room. George was on the bed, reading.
‘Did you get the cat?’ he asked, putting the book
down.
‘It was gone.’
‘Wonder where it went to,’ he said, resting his eyes
from reading.
She sat down on the bed.
‘I wanted it so much,’ she said. ‘I don’t know why I
wanted it so much. I wanted that poor kitty. It isn’t any
fun to be a poor kitty out in the rain.’
Depois de meia hora passada desde que chegou, ela havia já decorado a casa inteira. Gostava do jeito como ele organizava suas coisas. Poucos móveis na sala; apenas livros, uma grande mesa para estudos ao centro, e um sofá de dois lugares de frente para a televisão.
A casa toda era pouco iluminada e havia um leve cheiro de madeira velha que vinha da cozinha para o corredor e penetrava na sala. Havia três cachorros de raças distintas no quintal.
A garota levantou-se do sofá, e com uma das mãos apoiou-se na mesa para alcançar o livro que jazia aberto em sua frente. Enquanto o homem no banheiro esvaziava da bexiga os dois copos da cerveja que já causava-lhe certo incômodo, a menina seguia com os olhos e com a ponta dos dedos as linhas de um pequeno conto. Antes de se retirar da sala, ele havia aberto o livro naquela página, recomendando que a menina a lesse, mesmo estando descrente de que ela o fizesse.
There were only two Americans stopping at the
hotel. They did not know any of the people they passed
on the stairs on their way to and from their room. Their
room was on the second floor facing the sea. It also
faced the public garden and the war monument. There
were big palms and green benches in the public garden.
In the good weather there was always an artist with his
easel. Artists liked the way the palms grew and the bright
colors of the hotels facing the gardens and the sea.
Italians came from a long way off to look up at the war
monument. It was made of bronze and glistened in the
rain. It was raining.
Quando o homem destrancou a porta do banheiro, ela movia-se silenciosamente para o segundo parágrafo do conto. Agora, em uma mão segurava o livro e na outra um cigarro. Havia adquirido o hábito de segurar um cigarro em uma das mãos quando tinha de ler em companhia de alguém. O ato de fumar parecia-lhe livrar da feição particular que se esboça quando se realiza uma leitura. Naquele momento, ela não queria deixar escapar nenhum traço de emoção.
Ele voltou para sala e olhou-a com surpresa; e ela para ele, com um sorriso de uma criança que sabe estar fazendo a coisa certa:
- Ah...você está lendo. Continua. Enquanto isso, eu uso o computador.
The American wife stood at the window looking out.
Outside right under their window a cat was crouched
under one of the dripping green tables. The cat was
trying to make herself so compact that she would not
be dripped on.
‘I’m going down and get that kitty,’ the American wife
said.
‘I’ll do it,’ her husband offered from the bed.
‘No, I’ll get it. The poor kitty out trying to keep dry
under a table.’
The husband went on reading, lying propped up with
the two pillows at the foot of the bed.
‘Don’t get wet,’ he said.
The wife went downstairs and the hotel owner stood
up and bowed to her as she passed the office. His desk
was at the far end of the office. He was an old man and
very tall.
Ela esticou o braço um pouco pra frente, de modo que pudesse alcançar a mesa e bater no cinzeiro o cigarro, que já ia quase metade queimado. Levantando os olhos, pôde ver que ele clicava com o mouse na tela do computador, onde não havia nada para clicar, fingindo se distrair com alguma coisa. A menina riu por dentro, e tentando retornar a atenção para o conto, leu desta vez mais rápido do que antes.
‘Il piove,’the wife said. She liked the hotel-keeper.
‘Si, Si, Signora, brutto tempo . It is very bad weather.’
He stood behind his desk in the far end of the dim
room. The wife liked him. She liked the deadly serious
way he received any complaints. She liked his dignity.
She liked the way he wanted to serve her. She liked the
way he felt about being a hotel-keeper. She liked his
old, heavy face and big hands.
Agora, pensava nela mesma e em como havia ido parar ali, naquela sala, naquela casa velha e mal-improvisada, naquele primeiro encontro. “The wife liked him”. “The wife liked him”. Não conseguia parar de repetir pra si mesma. “Acho que já sei como esta história termina”, ela pensou consigo; e continuou a ler ainda mais rápido. Ofegante, virou a folha:
She walked along the gravel path until she was under their
window. The table was there, washed bright green in
the rain, but the cat was gone. She was suddenly
disappointed. The maid looked up at her.
‘Ha perduto qualque cosa, Signora?’
‘There was a cat,’ said the American girl.
‘A cat?’
‘Si, il gatto.’
‘A cat?’ the maid laughed. ‘A cat in the rain?’
‘Yes, –’ she said, ‘under the table.’ Then, ‘Oh, I
wanted it so much. I wanted a kitty.’
When she talked English the maid’s face tightened.
‘Come, Signora,’ she said. ‘We must get back inside.
You will be wet.’
‘I suppose so,’ said the American girl.
Teve vontade de chorar de repente, de implorar ao escritor para que não deixasse a maldita gata estragar a vida da esposa. “Se ela não tivesse tido aquela visão, não saberia o que é ser feliz, e continuaria a viver na inocente mediocridade, sem ter que se preocupar com o que virá para preencher seus próximos dias.”
They went back along the gravel path and passed in
the door. The maid stayed outside to close the umbrella.
As the American girl passed the office, the padrone
bowed from his desk. Something felt very small and
tight inside the girl. The padrone made her feel very
small and at the same time really important. She had a
momentary feeling of being of supreme importance.
She went on up the stairs. She opened the door of the
room. George was on the bed, reading.
‘Did you get the cat?’ he asked, putting the book
down.
‘It was gone.’
‘Wonder where it went to,’ he said, resting his eyes
from reading.
She sat down on the bed.
‘I wanted it so much,’ she said. ‘I don’t know why I
wanted it so much. I wanted that poor kitty. It isn’t any
fun to be a poor kitty out in the rain.’
Depois de meia hora passada desde que chegou, ela havia já decorado a casa inteira. Gostava do jeito como ele organizava suas coisas. Poucos móveis na sala; apenas livros, uma grande mesa para estudos ao centro, e um sofá de dois lugares de frente para a televisão.
A casa toda era pouco iluminada e havia um leve cheiro de madeira velha que vinha da cozinha para o corredor e penetrava na sala. Havia três cachorros de raças distintas no quintal.
“Como tinha chegado até lá?” Não se lembrava mais. Foi tudo tão rápido como se tivesse sido atraída por um ímã que a fez atravessar a cidade inteira, sem necessitar o menor esforço. E lá estava ela, pensando muito secretamente que poderia passar alguns anos de sua vida sentada naquele sofá, lendo contos na companhia silenciosa de um homem desconhecido.
Ele também parece gostar da companhia dela; olha pra trás hora ou outra e ri docemente, voltando-se para frente novamente, girando levemente a cadeira de um lado para o outro.
Ela tira os pés avermelhados de dentro do sapato, se acomodando melhor no sofá.
(…)
His wife was looking out of the window. It was quite
dark now and still raining in the palm trees.
‘Anyway, I want a cat,’ she said, ‘I want a cat. I want a
cat now. If I can’t have long hair or any fun, I can have
a cat.’
George was not listening. He was reading his book.
His wife looked out of the window where the light had
come on in the square.
Someone knocked at the door.
‘Avanti,’ George said. He looked up from his book.
In the doorway stood the maid. She held a big tortoiseshell
cat pressed tight against her and swung down
against her body.
‘Excuse me,’ she said, ‘the padrone asked me to bring this for the Signora.’
Ela sabia que o conto terminaria assim. Então fecha o livro e pensa nervosamente que as coisas, às vezes, vêm de onde menos se espera. Num salto, levanta-se do sofá e põe o livro do lado do homem, que ainda está de costas.
“As coisas, às vezes, vêm de onde menos esperamos”, ela disse, ansiosa.
“O quê?”, ele perguntou, sorridente.
“As coisas, às vezes, vêm de onde menos esperamos!”, ela repetiu pausadamente, porém quase gritando.
Ele não entendeu o que ela disse, mas sorriu satisfeito. Ela também sorriu, pensando que se aquele momento fosse eterno, ela nunca precisaria sair na chuva à procura de sua felicidade.
22.11.08
something vague
Now and again it seems worse than it is, but mostly the view is accurate. You see your breath in the air while you climb up the stairs to that coffin you call your apartment. And you sink in the chair,brush the snow from your hair, and drink the cold away. You are not really sure what you are doing this for but you need something to fill up the days.
tá tão frio desde ontem.
Now and again it seems worse than it is, but mostly the view is accurate. You see your breath in the air while you climb up the stairs to that coffin you call your apartment. And you sink in the chair,brush the snow from your hair, and drink the cold away. You are not really sure what you are doing this for but you need something to fill up the days.
tá tão frio desde ontem.
13.11.08
Tereza and Tomas (bright eyes)
Let’s sail away past the noise of the bay
Let’s sail away past the birth and death of the day
Let’s sail away to where the blues and greens swirl into gray
Let’s sail away
Let’s sail away past the cradle of these waves
Let’s sail away past the tide and it's slow decay
Let’s sail away to where the water goes, some endless open space
Let’s sail away
Take only what you need, my love, and leave the rest behind
Don’t be afraid of where we’ll go, my love
I promise you will be fine
Now you are the only one that's mine
Let’s sail away past the reflections of the light
Let’s sail away floating weightless through the night
Let’s sail away like a photograph, fading to all white
It’s finally all right
Forget all the mistakes my love
They won’t be made again
Leave the photos in the drawer, my love
We no longer need them
We both know where we’ve been
Let’s sail away disappearing in a mist
Let’s sail away with a whisper and a kiss
Or vanish from a road somewhere, like Tereza and Tomas
Suspended in this bliss
Let’s sail away past the noise of the bay
Let’s sail away past the birth and death of the day
Let’s sail away to where the blues and greens swirl into gray
Let’s sail away
Let’s sail away past the cradle of these waves
Let’s sail away past the tide and it's slow decay
Let’s sail away to where the water goes, some endless open space
Let’s sail away
Take only what you need, my love, and leave the rest behind
Don’t be afraid of where we’ll go, my love
I promise you will be fine
Now you are the only one that's mine
Let’s sail away past the reflections of the light
Let’s sail away floating weightless through the night
Let’s sail away like a photograph, fading to all white
It’s finally all right
Forget all the mistakes my love
They won’t be made again
Leave the photos in the drawer, my love
We no longer need them
We both know where we’ve been
Let’s sail away disappearing in a mist
Let’s sail away with a whisper and a kiss
Or vanish from a road somewhere, like Tereza and Tomas
Suspended in this bliss
5.10.08

Li numa revista Viagem, de 2001:
A tentação do batom
Duas vezes castraram o anjo de pedra que adorna o túmulo de Oscar Wilde (1854-1900). Primeiro foi o zelador do cemitério, que achou a escultura indecente e durante anos usou os testículos como peso de papel. Agora, a maior ameaça à sepultura são os beijos de batom. Centenas. Indeléveis. "O batom é a gota d'água", disse recentemente o neto do escritor, Merlin Holland, ao jornal inglês The Observer. "Se querem homenagear a memória de meu avô, deixem seu túmulo em paz! Grafites podem ser removidos, mas o batom contém substâncias que são absorvidas pela pedra e deixam marcas terríveis", disse o neto. Em novembro do ano passado, fez um século da morte de Wilde. Morreu relativamente jovem (46 anos), miserável e esquecido no Hotel Beaux Arts, em Paris. Formado em Oxford, Wilde se instalou em Londres com 25 anos, aos 36 escreveu O Retrato de Dorian Grey e aos 41 foi condenado, por "delito de homossexualismo", a dois anos de trabalhos forçados. (...) Sua ex-mulher foi obrigada a usar pseudônimo, para preservar seus dois filhos da fúria dos anti-homessexuais. Hoje Wilde é idolatrado por gays de todo o mundo. Uma de suas frases mais célebres é uma apologia à liberdade: "Eu consigo resistir a tudo, menos à tentação". Talvez os seus herdeiros tenham que se conformar com os beijos de batom. É bem capaz que o escritor os aprovasse.
30.9.08
29.9.08

Since I started to read ''Girl, interrupted", by Susanna Kaysen, in the last couple weeks, I have been thinking about nothing but madness. Sick minded. Mental illness, whatever. I just come back from college from mondays to fridays and lay down on my bed pretending to read something to get a good grade, and the only thing I do is to eat up my newest book.
Yet, I have a good reason for that, or, at least I think so. I am particularly interested - and it has always been like that - to the main subject the book talks about. I have always been fascinated about people's behavior, human mind, counciousness and uncounciousness, and even most about my own. I have been a long time curious about how the hell a person crosses the line from the real world to completely insanity? How is that? What is necessary?
And then I found this, on the first page, right in the first paragraph:
"People ask, How did you get in there? What they really want to know is if they are likely to end up in there as well. I can't answer the real question. All I can tell them is, It's easy.
And it is easy to slip into a parallel universe. There are so many of them: worlds of the insane, the criminal, the cripled, the dying, perhaps of the dead as well. These worlds exist alongside this world and resemble it, but are not in it".
Awesome. This is the REAL story of an eighteen-year-old girl, written by herself. After intending to commit suicide, she has been sent to a hospital which does not treat patients as well as they were supposed to do. Susanna has her diagnosis impression (she put copies of them in the book!) at admission written things like "Psychoneurotic depressive reaction or Personality pattern disturbance", etc. But, as you read the book, you become aware that, ironically, she has the most good sense in the place.
Then I have thought about myself and remembered hard situations when I thought I would myself become crazy. Those times were not a BIG deal, though had caused me panic. It happens usually when something incredibly strange and unusual occurs, so you are not able to distinguish wether that is really happening or just a product of mind. Moments that if I hadn't stoped thinking and tried to keep calm, I would have soon realized that I really reached the line for the fantasy world.
However, that was only to say that "Girl, interrupted" is an excellent book that I can't stop reading, it flows naturally. I strongly recomend.
***
11.9.08
10.9.08
9.9.08
28.8.08
Acho que finalmente encontrei uma matéria na faculdade que desperta verdadeiramente meu interesse : é o curso de PLE, Português Língua Estrangeira. Toda terça e quinta, às 9h20, estudo essa matéria, e tenho descoberto muitas coisas legais sobre o ensino de português para estrangeiros. Descobri que existe um exame de proficiência na UFRJ, que é chamado de CELPE- Bras. É como se fosse um exame de Cambridge ou Michigan, para avaliar o quanto o aluno é capaz de se comunicar naquela língua, no caso, o português. É o único no Brasil reconhecido pelo MEC. Os professores da UFRJ dão cursos preparatórios que duram de sete a oito meses e os exames são enviados para Brasília, e lá são corrigidos.
O mais legal de tudo, é que esses cursos nunca envolvem só a língua em si. Envolvem também a troca de cultura entre alunos e professores. Lá na faculdade, se vê gente de todos os lugares do mundo querendo aprender português - japoneses, argelinos, nigerianos, congoleses, alemães- pelas mais diversas finalidades, porém geralmente para estudarem ou atuarem na sua área de interesse, não necessariamente línguas, aqui no Brasil.
Hoje, por exemplo, escutei algumas curiosidades sobre os alunos do PEC (turma de estudantes do Congo). Eles tem muito respeito em relação ao professor (coisa que os brasileiros as vezes se esquecem de ter), sempre referindo-se a ele como senhor ou senhora. É quase chocante para um Congolês ver um professor em situação subserviente. Uma vez, por exemplo, em que houve uma festinha de comemoração na sala de aula, a professora se levantou pra servir a bandeja de salgadinhos- o que causou um reboliço entre os Congoleses- , uma situação super normal para os brasileiros. Eles perguntam também coisas engraçadas do tipo "homens podem sentar com as pernas cruzadas aqui no Brasil?" ou "Professora, o que é piranha?" e coisas do tipo. Um deles ficou até interessado na minha amiga Marina. Explicando que ficaria aqui no Brasil por mais sete anos, convidou-a para ser a "Senhora" dele. rs. Ah, sim, eles também tem horror a casais que se beijam no meio da rua; é desrespeitoso.
31.7.08
Estou em novo dilema empregatício.
Tenho sempre muitos planos; o problema, é que quase todos se encaixam no momento da minha vida em que eu estiver terminado a faculdade. Isso gera muita ansiedade e angústia, porque apesar de estar quase concluindo o curso, sei que até lá não vou fazer outras coisas que eu gostaria de estar fazendo; então não me concentro no presente tanto quanto deveria. Fica sempre aquele arzinho de que estou perdendo tempo, traçando um futuro que vai me levar a nada. Tenho pressentimento de que essa sensação vai me perseguir infinitamente. Sinto ansiedade de ser independente. Na infância, imaginava que aos 23 anos eu sairia pra trabalhar, linda, com meu Taier e meu carro alto, e tudo estaria bem. Não pensava que ia ser tão difícil.
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